MOSTRA SESC DE CINEMA REVELA PRODUÇÕES DE MATO GROSSO

Sessões foram realizadas nos dias 10 e 11 de abril

Mato Grosso vive uma ótima fase de produção cinematográfica, com dois longas sendo rodados no estado, a abertura do curso de cinema e audiovisual na Universidade Federal de Mato Grosso e editais do governo como incentivos de produção. Essa realidade se confirmou na qualidade das produções apresentadas nas sessões lotadas da etapa estadual da segunda edição da Mostra Sesc de Cinema, realizada no Sesc Arsenal nos dias 10 e 11 de abril.

Ao todo, foram exibidos 10 curtas metragens de ficção e documentário, dos quais cinco serão licenciados e concorrerão na etapa nacional da Mostra. Fernanda Solon, analista de cinema do Arsenal explica que a ideia é promover a difusão da produção de filmes que não chegam ao circuito comercial, além de lançar nomes de artistas em todo o país.

“Após vários anos tentando a possibilidade de integrar o país através da sétima arte, a Mostra Sesc de Cinema conseguiu no último ano ser idealizada e promovida em cada um dos estados do Brasil. Para a próxima edição ela está sendo pensada de uma forma que consigamos, ainda mais, unificar o país e promover o cinema autoral”, declarou Fernanda Solon.

Uma dessas artistas é Edilaine Duarte, vencedora como melhor atriz da Mostra Lugar de Mulher é no Cinema, realizada em Salvador (BA). A atriz protagonizou o curta “A gente nasce só de mãe”, inspirada numa tragédia ocorrida com uma família em Várzea Grande. Além da Bahia, a produção já foi exibida em Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Paraíba, nos Estados Unidos e na Bielorússia. A diretora, Caru Roelis, também dirigiu o documentário “Confirmou Presença”, sobre mobilizações de jovens para inclusão e liberdade na capital do estado.

Já Juliana Curvo, co-diretora do filme “Aquele disco da Gal”, contou que sempre foi admiradora da sétima arte, mas não se via produzindo filmes até pouco tempo atrás. Depois da experiência com o curta sobre a relação de um pai com sua, Juliana está produzindo um documentário de longa metragem sobre a poeta Luciene Carvalho.

Além das sessões de cinema, foi realizada uma cerimônia de entrega dos filmes licenciados e os destaques da mostra. (Veja abaixo a lista de todos os curtas licenciados.)

“Juba” recebeu o destaque pela Direção de Fotografia e Roteiro. Já “Teodora quer Dançar” recebeu o destaque por direção de arte; Benedito que Subia: do Profano ao Divino, por Montagem, “Abecedário - Encontros e Desencontros nas Letras Mato-grossenses”, por Relevância Histórica, categoria criada especialmente para este filme e “Aquele disco da Gal”, por trilha Sonora. “A gente nasce só de mãe” recebeu os destaques de Direção de som e direção.

No segundo semestre deste ano serão divulgados os vencedores de todo país, que irão circular pela etapa nacional da Mostra, que está na segunda edição. Na edição do ano passado, o curta “Filhos da Lua na Terra do Sol”, de Danielle Bertolini, foi o representante de Mato Grosso.

 

DESTAQUES DA ETAPA MATO GROSSO

 

Direção de arte:Samantha Col Debella (Teodora quer dançar)

Direção de Fotografia: Marcelo Biss (Juba)

Direção de som: Caru Roelis (A gente nasce só de mãe)

Direção: Caru Roelis (A gente nasce só de mãe)

Montagem: Izis Negreiros e Michelle Moraes (Benedito que Subia: do Profano ao Divino)

Relevância Histórica: Jonathan Cesar (Abecedário - Encontros e Desencontros nas Letras Mato-grossenses)

Roteiro: Severino Neto (Juba)

Trilha Sonora:Juliana Curvo e Diego Baraldi (Aquele disco da Gal)

 

FILMES QUE FORAM INDICADOS PELA CURADORIA ESTADUAL PARA CONCORRER COM AS DEMAIS PRODUÇÕES DO CENTRO-OESTE NA ETAPA NACIONAL

 

A GENTE NASCE SÓ DE MÃE

(Direção: Caru Roelis, Roteiro: Caru Roelis, curta-metragem, ficção, Cuiabá-MT, 2017 [ 18’17”])

Inspirando em uma história real, "A Gente Nasce Só de Mãe" narra à história de Emilly Barbosa, uma garota de 17 anos vivendo em situação precária com seus dois irmãos menores e o seu filho recém-nascido na periferia da cidade de Várzea Grande. Desde que Maria Helena Barbosa, sua mãe, foi morar com novo namorado, a pobreza agrava e um corte de energia incita uma enorme tragédia.

 

AQUELE DISCO DA GAL

(Direção: Juliana Curvo e Diego Baraldi, Roteiro: Juliana Curvo e Diego Baraldi, curta-metragem, ficção, Cuiabá-MT, 2017, [25min.])

Aquele disco da Gal apresenta a história da convivência entre Henrique e Nathalia, pai e filha, que ficam juntos no apartamento da família depois que a mãe, Mariana, decide sair de casa para morar com Bia, com quem já mantinha relação amorosa há algum tempo.

 

CONFIRMOU PRESENÇA

(Direção: Caru Roelis, Roteiro: Jorge Antônio, curta-metragem, documentário, Cuiabá-MT, 2016, [26min.])

Confirmou presença é um documentário que aborda temas da atualidade que envolvem o universo de jovens em suas buscas por inclusão e liberdade, cidadania e participação na vida comunitária. Dois episódios históricos da cidade de Cuiabá, duas mobilizações iniciadas por jovens, serão contadas através de pesquisas e recortes em arquivos sobre os fatos e depoimentos de diversos segmentos da sociedade, desde especialistas, aos jovens ativistas e também o público comum alheio a estes movimentos, porém que de alguma forma foram beneficiados pelos resultados destas ações, que iniciaram-se através da internet tomaram proporções significativas, envolvendo o poder público nas resoluções de suas reivindicações. O documentário retrata a juventude brasileira em seu aspecto de luta por causas sociais e a velocidade em que a internet transforma estas aspirações em verdadeiras ações de mobilização social.

 

JUBA

(Direção: Severino Neto e Rafael de Carvalho, Roteiro: Severino Neto, curta-metragem, ficção, Cuiabá-MT, 2017[ 19min.])

Juba é uma jovem que ganha dinheiro fazendo malabares nas ruas de Cuiabá. Em uma dessas raras oportunidades que a vida oferece, Juba e seus companheiros de trabalho recebem uma proposta irrecusável. Porém, mesmo com tudo combinado, alguns detalhes do seu complexo cotidiano tornam a decisão mais difícil do que parece. O filme mostra, de maneira intimista, simples e despretensiosa, como os sonhos e a própria vida se misturam e se é possível que a arte sobreviva à realidade.

 

SUA VIDA É VOCÊ QUEM FAZ

(Direção: João Carlos Ferreira Bertoli, Roteiro: João Carlos Ferreira Bertoli, curta-metragem, ficção, Cuiabá-MT, 2015 [ 15min.])

Como tantos outros jovens pais, Gonçalino é um homem com poucas possibilidades. Desempregado e cercado pela violência que ronda as cidades, ainda assim tem esperança de poder dar uma vida mais digna à sua família. Após uma noite de bebedeira, o acaso lhe apresenta uma oportunidade de chegar em casa com algum dinheiro e limpar um pouco a sua barra. Agora Gonçalino precisa tomar uma decisão: Ir pelo caminho correto e mais difícil, ou tomar um atalho!? Afinal “sua vida é você quem faz”.